No Condado de Garner, em uma sociedade patriarcal, acredita-se que as mulheres têm poderes obscuros. Com isso, ao completarem 16 anos, as jovens são enviadas a um campo de trabalho afastado onde permanecem por 1 ano para se purificarem dessa magia.

Só que ninguém sabe o que realmente acontece no “Ano da Graça”: muitas das jovens não voltam e as que retornam estão diferentes e não podem falar sobre isso.

Nesse livro, acompanhamos a jornada de Tierney James e suas companheiras ao finalmente irem para seu Ano da Graça.

O ANO DA GRAÇA

Kim Liggett

WOW. Esse livro foi uma verdadeira montanha russa de emoções para mim. Senti de tudo e mais um pouco: raiva, angústia, impotência, incredulidade, medo, pânico, choque, esperança, amor, sororidade e surpresa e revolta.

A forma como os homens tratavam as mulheres como presas, como ficavam “loucos” pela suposta “magia” que elas tinham; a maneira que as manipulavam para fazer delas inimigas; como, propositalmente, as mantinham separadas… Isso tudo só mostrava que eles sabiam que elas só eram fracas separadas e voltadas umas contra as outras… A partir do momento que isso mudasse, eles sabia que estariam em maus lençóis.

Entretanto, o maior ensinamento que essa história traz é pensar que, apesar de distopia, é algo que não está tão afastado da nossa realidade. E o que faz as distopias tão incríveis é exatamente isso: elas estarem logo ali, a apenas um deslize dessa sociedade distorcida e complicada em que vivemos. Mas também é um gênero que mostra que por mais que as coisas estejam complicadas e que possam vir a dar errado, SEMPRE haverá uma esperança e a chance de mudar isso. E é esse o principal ensinamento deste livro.

Mas não espere um final feliz. E nem um final totalmente conclusivo e fechadinho. Distopias sempre mostram o pior de uma sociedade e isso não consegue ser resolvido em algumas poucas páginas ou em alguns poucos anos. A beleza de um livro de distopia está naquela faísca que dá início a mudança e que começa a pavimentar um caminho de volta para uma sociedade mais igualitária e aceitável. Um verdadeiro tapa na cara mas também uma maneira de abrirmos o olho para que nunca, jamais, a gente deixe chegar nesse ponto. Juntas somos mais fortes.

O livro será adaptado para o cinema pela Universal Pictures com produção e direção de Elizabeth Banks.

3 thoughts on “Resenha | O ano da graça, de Kim Liggett

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